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Caixilharias e janelas, como escolher?

​Quando pensamos em melhorar o conforto de uma casa, a substituição das janelas costuma ser um dos primeiros investimentos. Mas será que precisamos sempre de vidro triplo ou das soluções mais caras?

Na maioria das habitações em Portugal não.

O nosso clima é relativamente moderado quando comparado com muitos países do centro e norte da Europa. Por isso, na maioria dos casos, uma boa caixilharia com rotura térmica, associada a um vidro duplo de qualidade, oferece um excelente equilíbrio entre desempenho e investimento.

 

Mais importante do que escolher o vidro mais caro é garantir que:

  • a caixilharia possui rotura térmica;

  • o vidro é adequado à orientação solar da fachada;

  • a instalação é executada corretamente.

 

Uma janela de elevada qualidade pode perder grande parte do seu desempenho se for mal instalada.

O vidro triplo pode ser uma excelente opção quando se pretende um maior isolamento acústico (em zonas com muito trânsito, perto de aeroportos ou linhas de comboio), quando se procura aumentar a segurança da habitação, por exemplo em pisos térreos, podem fazer sentido vidros laminados ou outras soluções específicas.

 

O que é a rotura térmica?

As caixilharias podem ser fabricadas em diferentes materiais, sendo os mais comuns o alumínio e o PVC.

O alumínio é um excelente condutor de calor. Isto significa que transporta facilmente a temperatura do exterior para o interior da casa.

Se imaginarmos uma peça contínua de alumínio e arrefecermos um dos lados durante algum tempo, rapidamente o outro lado também ficará frio.

É precisamente para evitar esta transmissão que existe a rotura térmica.

Numa caixilharia de alumínio, a parte exterior e a parte interior são separadas por um material isolante (normalmente poliamida reforçada com fibra de vidro), interrompendo a passagem do calor.

 

No inverno, isto faz com que a superfície interior da caixilharia permaneça bastante mais quente do que aconteceria sem rotura térmica. No verão acontece exatamente o contrário: dificulta a entrada do calor exterior para o interior da habitação.

 

O resultado traduz-se em:

  • maior conforto;

  • menores perdas energéticas;

  • menor risco de condensações.

 

Nota: As caixilharias em PVC não necessitam de rotura térmica, uma vez que o próprio PVC já possui uma baixa condutividade térmica.

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Caixilharia de batente sem rotura térmica

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Caixilharia de batente com rotura térmica

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Porque aparecem gotas de água nas janelas?

É muito comum encontrar água na face interior das janelas antigas.

Na maioria dos casos, isto não significa que a janela esteja a meter água.

Trata-se de condensação.

Durante a noite, uma divisão ocupada por duas pessoas durante várias horas acumula naturalmente vapor de água libertado pela respiração. Se esse vapor encontrar uma superfície muito fria — como uma caixilharia sem rotura térmica ou um vidro pouco isolante — atinge o chamado ponto de orvalho e transforma-se em água.

Quanto mais fria estiver a superfície interior da janela, maior será a probabilidade de ocorrer condensação.

As soleiras também contam

As soleiras tradicionais em granito ou mármore atravessam frequentemente toda a espessura da parede.

Como a pedra conduz relativamente bem o calor, acabam por funcionar como uma ponte térmica entre o exterior e o interior.

No inverno, esta situação faz com que a zona junto à janela fique mais fria, aumentando as perdas de calor e favorecendo o aparecimento de condensações.

Hoje já existem soluções mais eficientes, como as soleiras térmicas em XPS de alta densidade, que reduzem significativamente esta transferência de temperatura, mantendo a função estrutural e permitindo posteriormente aplicar um acabamento em pedra apenas onde for necessário.

Janelas eficientes precisam de ventilação

Este é talvez um dos aspetos mais esquecidos.

É muito comum uma reabilitação começar pela substituição das janelas.

As janelas antigas eram pouco estanques e permitiam pequenas infiltrações de ar, que asseguravam uma renovação contínua, embora pouco eficiente.

Quando são instaladas janelas modernas, muito mais estanques, essa renovação de ar deixa de acontecer naturalmente.

Se a casa não for ventilada diariamente — ou se não existir um sistema de Ventilação Mecânica Controlada (VMC) — podem surgir problemas como:

  • condensações;

  • bolores;

  • humidade;

  • degradação da qualidade do ar interior.

Janelas eficientes exigem também uma ventilação eficiente.

A ventilação não serve apenas para prevenir patologias da construção. É também essencial para remover o excesso de humidade, renovar o ar e reduzir a concentração de dióxido de carbono (CO₂) no interior da habitação.

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A importância do pré-aro

Sempre que possível, a janela deve ser instalada sobre um pré-aro, que funciona como elemento de ligação entre a parede e a caixilharia.

Além de facilitar a montagem e uma eventual substituição futura da janela, o pré-aro evita que a caixilharia fique em contacto direto com elementos muito condutores, como a pedra.

Ao reduzir esse contacto direto, diminuem-se as perdas térmicas e melhora-se o desempenho global da janela.

O isolamento deve chegar até à janela

Quando a fachada recebe isolamento térmico pelo exterior (ETICS ou outro sistema semelhante), esse isolamento não deve terminar antes da janela.

Idealmente, deve envolver parcialmente a caixilharia, reduzindo ao máximo a zona exposta ao exterior.

Desta forma, diminui-se a ponte térmica existente entre a parede e a janela e melhora-se significativamente o conforto junto ao vão. É um detalhe aparentemente pequeno, mas com grande impacto no desempenho final.

Onde a janela é colocada também faz diferença

Nem todas as posições da janela na espessura da parede têm o mesmo comportamento térmico.

Uma janela colocada junto ao exterior da parede fica mais exposta às temperaturas exteriores e cria uma ponte térmica mais significativa entre a parede e a caixilharia.

Sempre que existe isolamento pelo exterior, a solução mais eficiente é aproximar a janela do plano do isolamento, permitindo que este "envolva" parcialmente a caixilharia.

Desta forma, reduz-se a perda de calor e aumenta-se a temperatura da superfície interior junto à janela, melhorando o conforto e diminuindo o risco de condensações.

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Uma boa janela mal instalada continua a ser uma má janela

Escolher uma boa caixilharia é apenas metade do trabalho.

A forma como a janela é instalada tem uma influência enorme no conforto térmico da casa e pode comprometer grande parte do desempenho anunciado pelo fabricante.

Uma janela é sempre um sistema: não existe apenas o vidro e a caixilharia, existe também a forma como ela se liga à parede.

Quando essa ligação não é pensada, criam-se pontes térmicas que facilitam a perda de calor no inverno, o ganho de calor no verão e aumentam o risco de condensações.​

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O tipo de abertura também faz diferença

Nem sempre podemos escolher livremente o tipo de abertura de uma janela.

A dimensão do vão, a utilização do espaço, o mobiliário ou até questões estéticas podem condicionar essa escolha. Em muitos casos, uma janela de correr é simplesmente a solução mais prática.

No entanto, do ponto de vista do desempenho térmico e da estanquidade, nem todos os sistemas são iguais.


Janelas de batente

As janelas de batente (ou oscilobatentes) são, de forma geral, a solução com melhor desempenho.

Quando fecham, a folha é pressionada contra todo o perímetro da caixilharia através de vários pontos de fecho, comprimindo as juntas de vedação.

Isto permite obter:

  • maior estanquidade ao ar;

  • menor entrada de água em dias de chuva e vento;

  • melhor isolamento acústico;

  • melhor desempenho térmico.

As janelas oscilobatentes acrescentam ainda uma vantagem muito importante: permitem ventilar a habitação de forma controlada, através da abertura basculante, sem necessidade de abrir totalmente a janela. É uma das soluções de que mais gostamos. 


Janelas de correr

As janelas de correr têm como principal vantagem a funcionalidade.

Não ocupam espaço quando abertas, são ideais para grandes vãos envidraçados e permitem uma excelente relação entre o interior e o exterior.

Contudo, como as folhas deslizam sobre carris em vez de comprimirem juntas de vedação, são, por natureza, menos estanques do que uma janela de batente.

Na prática, isto significa que, quando comparadas com sistemas equivalentes de qualidade semelhante, tendem a apresentar:

  • maior passagem de ar;

  • menor isolamento acústico;

  • um desempenho térmico ligeiramente inferior.

Também oferecem, regra geral, um nível de segurança inferior, uma vez que o sistema de fecho é normalmente menos robusto do que o de uma janela de batente.
 

Então devo evitar janelas de correr?

Não necessariamente.

As janelas de correr evoluíram muito nos últimos anos e existem atualmente sistemas de elevada qualidade, com desempenhos bastante interessantes.

Sempre que as condicionantes do projeto o permitam, uma janela de batente ou oscilobatente será normalmente a solução mais eficiente.

Mas quando a funcionalidade ou o desenho do espaço justificam uma janela de correr, é importante escolher um sistema de boa qualidade e estar consciente de que existe um compromisso entre conforto, desempenho e utilização.

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E quanto ao fator de proteção solar do vidro?

O fator solar (g) representa a percentagem da energia solar que atravessa o vidro. Quanto menor for este valor, menor será a entrada de calor proveniente do sol.

Nem todas as fachadas recebem a mesma quantidade de sol.

Quando uma janela está muito exposta à radiação solar e não dispõe de um sistema de sombreamento eficaz — como uma pala, uma varanda, uma pérgola ou estores exteriores — pode ser vantajoso optar por um vidro com controlo solar.

Este tipo de vidro reduz parte da energia solar que entra na habitação, ajudando a evitar o sobreaquecimento durante o verão e melhorando o conforto interior.

No entanto, esta escolha deve ser ponderada com cuidado.

Se a fachada dispõe de um bom sistema de sombreamento passivo, muitas vezes não é necessário recorrer a um vidro com elevado controlo solar. Além disso, um vidro que bloqueia demasiado a radiação solar também reduz os ganhos solares no inverno, que podem ser benéficos para o conforto e para a eficiência energética da habitação.

Como em tantas outras decisões em arquitetura, não existe uma solução universal. A escolha do vidro deve considerar a orientação da fachada, o clima, a existência de sombreamento e a forma como a casa será utilizada.

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O objetivo deste recurso não é dizer-lhe qual a melhor janela do mercado, mas ajudá-lo a compreender o que realmente faz diferença.

Uma boa escolha depende sempre da sua casa, da orientação solar, do orçamento e da forma como o espaço vai ser utilizado.

 


Acreditamos que boas decisões começam por uma boa compreensão.

Não precisa de saber tudo. Estamos aqui para tornar as decisões mais simples.

Vila Nova de Gaia

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