Infiltração numa moradia térrea
Diagnóstico, consultoria, acompanhamento de obra



Diagnóstico
Moradia de construção tradicional em pedra, apresentava sinais recorrentes de humidade no interior, particularmente nas paredes em contacto com o exterior.
Apesar das sucessivas pinturas realizadas ao longo dos anos, as manchas de humidade e a degradação dos revestimentos reapareciam ciclicamente, sem que a causa do problema fosse efetivamente resolvida.
Perante a persistência da situação, os moradores ponderavam a aplicação de gesso cartonado pelo interior como forma de mitigar os efeitos visíveis da patologia.
No entanto, após visita ao local e avaliação global da habitação, concluiu-se que a origem do problema estava sobretudo relacionada com a gestão inadequada das águas pluviais e com a degradação dos elementos exteriores responsáveis pelo seu encaminhamento.
A descarga das águas pluviais era efetuada diretamente para o pátio, junto à fachada da habitação. Esta situação, associada a um pavimento exterior fissurado e permeável, favorecia a infiltração de água e a sua permanência junto à base das paredes.
Adicionalmente, o pavimento exterior encontrava-se apoiado sobre solos finos, que tendem a reter humidade durante períodos mais prolongados. Em conjunto com facto do material do pavimento estar bastante fissurado e permeável, esta situação favorecia a absorção de humidade pela base da construção através de fenómenos de capilaridade.




Verificou-se ainda uma particularidade construtiva relevante. A parede em pedra encontra-se revestida exteriormente por uma camada cimentícia e interiormente por reboco tradicional. O revestimento exterior apresenta dois ressaltos horizontais ao longo da fachada, criando descontinuidades geométricas propícias à acumulação de água e ao aparecimento de fissuração.
Com o passar dos anos, a exposição contínua às variações de temperatura, à chuva e à radiação solar promove a degradação natural dos revestimentos, aumentando a sua porosidade e suscetibilidade à fissuração. Neste caso, as fissuras observadas coincidem precisamente com essas zonas de descontinuidade.
Idealmente, seria desejável eliminar estes ressaltos e tornar a fachada o mais homogénea possível, reduzindo potenciais pontos de retenção de água. No entanto, tal intervenção implicaria uma reabilitação significativa da envolvente exterior, não enquadrada no âmbito atual da obra.


Solução
A intervenção iniciou-se pela correção da principal causa identificada: a gestão inadequada das águas pluviais.
Procedeu-se ao desentupimento das caleiras existentes e à redefinição do encaminhamento das águas da cobertura, através da substituição e enterramento dos tubos de queda, conduzindo as águas para os pontos de drenagem existentes.
Em paralelo, foi demolido o pavimento exterior degradado, permitindo corrigir as pendentes existentes e executar uma nova solução construtiva.
Junto à fachada foi aberta uma vala contínua, reduzindo o contacto direto entre o terreno e a base da construção. Após o estudo das novas inclinações e do traçado das infraestruturas enterradas, esta vala foi preenchida com brita drenante.
Ao contrário dos solos finos, que tendem a reter água durante mais tempo, a brita apresenta elevada capacidade drenante, permitindo uma evacuação mais rápida da água infiltrada e reduzindo a permanência de humidade junto à construção.



Como medida complementar, foi aplicada uma impermeabilização flexível na zona enterrada da fachada, recorrendo ao Flycoat da CIN, criando uma barreira adicional à penetração de água.
A abertura da vala drenante e a utilização de brita contribuem para minimizar a acumulação de água junto à habitação e favorecer a secagem da envolvente.
Na execução do novo pavimento foi igualmente prevista uma junta de separação entre o betão e a fachada existente em pedra, através da aplicação de uma banda de espuma de polietileno.
Esta camada funciona como elemento de desacoplamento entre materiais distintos, permitindo pequenas movimentações sem gerar tensões ou fissuração e reduzindo simultaneamente o contacto direto entre materiais porosos, limitando a transmissão de humidade por capilaridade.
Embora a principal causa da patologia esteja associada à gestão das águas pluviais, observaram-se igualmente sinais de condensação interior, agravados pela reduzida ventilação dos espaços e pelas características térmicas próprias deste tipo de construção.


Em breve mostro o resultado final desta fase de intervenção. Segue-se a intervenção na fachada que se encontra fissurada e porosa devido a vários anos de infiltrações pelas fundações e de movimentações naturais do terreno.

